Há livros que explicam uma obra; outros ensinam o leitor a entrar nela. Universo e Vocabulário do Grande Sertão, de Nei Leandro de Castro, pertence à segunda categoria. Publicado originalmente em 1970, o estudo nasceu de uma pesquisa iniciada em Natal, cinco anos antes, e ainda oferece uma porta de entrada generosa para a linguagem de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa.
O ponto decisivo é que Nei não trata as palavras de Rosa como obstáculos a serem removidos. Ao acompanhar neologismos, arcaísmos, regionalismos, sons e construções inesperadas, ele mostra que a linguagem é parte do próprio sertão inventado pelo romance — um sertão que é geografia, memória, imaginação e mundo.





