Em Menino de asas, a diferença que provoca medo também revela as contradições da cidade.
A cidade chama de monstro aquilo que não compreende. Mais tarde, quando descobre uma utilidade para suas asas, transforma o perseguido em funcionário exemplar.
Em Menino de asas, a diferença que provoca medo também revela as contradições da cidade.
A cidade chama de monstro aquilo que não compreende. Mais tarde, quando descobre uma utilidade para suas asas, transforma o perseguido em funcionário exemplar.
Ali estão o desenho da capa, a letra do samba, a descrição das alas e dos carros alegóricos, os nomes de quem trabalhou no barracão e os anúncios de um comércio natalense que já pertence a outra época. Para mim, no entanto, aquelas folhas guardam algo ainda mais pessoal: o começo de uma parceria musical que já atravessa 36 anos.
Às vésperas de mais uma eleição em que a educação corre o risco de virar promessa lateral, Darcy Ribeiro reaparece no Beijódromo, dentro da Universidade de Brasília. Diante da escola pública que o país ainda não decidiu construir, ele fala dos CIEPs, da UnB, de Anísio Teixeira, dos povos indígenas, da desigualdade, da inteligência artificial e da Lei de Diretrizes e Bases. Também responde às críticas, reconhece derrotas e pergunta aos candidatos o que quase nenhum palanque quer esclarecer: que criança brasileira estão dispostos a abandonar quando as urnas forem fechadas?
O ponto decisivo é que Nei não trata as palavras de Rosa como obstáculos a serem removidos. Ao acompanhar neologismos, arcaísmos, regionalismos, sons e construções inesperadas, ele mostra que a linguagem é parte do próprio sertão inventado pelo romance — um sertão que é geografia, memória, imaginação e mundo.
Esta não é daquelas obras que atravessam o tempo porque nunca deixaram de circular. “O pesadelo de Charles” é justametne o contrário: sobreviveu de maneira mais silenciosa: dobrada dentro de uma pasta, esquecida entre letras, poemas, rascunhos e papéis que eu já nem lembrava possuir.