quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Pescando o Passado: o samba para Zila que perdeu o Carnaval no sorteio

Em 1991, “Canção do Sonho Oceânico”, de Babal Galvão e Roberto Homem, levou a poesia de Zila Mamede à avenida com a Imperatriz Alecrinense. Trinta e cinco anos depois, um folder guardado devolve à memória a música, o desfile e um vice-campeonato decidido pela sorte.

Vasculhando minha pasta de tesouros antigos, encontrei quatro páginas que sobreviveram a mudanças, esquecimentos e ao desgaste do papel. Formam o folder que a Imperatriz Alecrinense no Samba distribuiu no Carnaval de Natal de 1991, quando desfilou com o enredo “Zila Mamede — Canção do Sonho Oceânico”.

Ali estão o desenho da capa, a letra do samba, a descrição das alas e dos carros alegóricos, os nomes de quem trabalhou no barracão e os anúncios de um comércio natalense que já pertence a outra época. Para mim, no entanto, aquelas folhas guardam algo ainda mais pessoal: o começo de uma parceria musical que já atravessa 36 anos.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Encontros Impossíveis: Darcy Ribeiro

 


Às vésperas de mais uma eleição em que a educação corre o risco de virar promessa lateral, Darcy Ribeiro reaparece no Beijódromo, dentro da Universidade de Brasília. Diante da escola pública que o país ainda não decidiu construir, ele fala dos CIEPs, da UnB, de Anísio Teixeira, dos povos indígenas, da desigualdade, da inteligência artificial e da Lei de Diretrizes e Bases. Também responde às críticas, reconhece derrotas e pergunta aos candidatos o que quase nenhum palanque quer esclarecer: que criança brasileira estão dispostos a abandonar quando as urnas forem fechadas?

Entrevista imaginária por Roberto Homem 

sábado, 26 de setembro de 2026

Capítulo Potiguar — Universo e Vocabulário do Grande Sertão


Há livros que explicam uma obra; outros ensinam o leitor a entrar nela. Universo e Vocabulário do Grande Sertão, de Nei Leandro de Castro, pertence à segunda categoria. Publicado originalmente em 1970, o estudo nasceu de uma pesquisa iniciada em Natal, cinco anos antes, e ainda oferece uma porta de entrada generosa para a linguagem de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa.

O ponto decisivo é que Nei não trata as palavras de Rosa como obstáculos a serem removidos. Ao acompanhar neologismos, arcaísmos, regionalismos, sons e construções inesperadas, ele mostra que a linguagem é parte do próprio sertão inventado pelo romance — um sertão que é geografia, memória, imaginação e mundo. 

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Pescando o Passado: o roteiro de 1988 que esperou 38 anos para virar filme

 Escrito numa Olivetti eletrônica e guardado por quase quatro décadas, “O pesadelo de Charles” nasceu como um exercício sem qualquer perspectiva de filmagem. Encontrado por acaso em 2026, o roteiro finalmente chegou à tela com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial.

Esta não é daquelas obras que atravessam o tempo porque nunca deixaram de circular. “O pesadelo de Charles” é justametne o contrário: sobreviveu de maneira mais silenciosa: dobrada dentro de uma pasta, esquecida entre letras, poemas, rascunhos e papéis que eu já nem lembrava possuir.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Encontros Impossíveis: Dom Hélder Câmara


O menino cearense que vestiu a camisa verde do integralismo, reviu as próprias certezas e se tornou uma das vozes mais incômodas da Igreja brasileira retorna ao estúdio do Memória Viva, da TV Universitária, em Natal. Diante das câmeras que o receberam em 1983, Dom Hélder fala da fé que não aceita servir de anestesia, da criação da CNBB, do Concílio Vaticano II, da ditadura, da tortura, do assassinato do padre Henrique, da não violência, das contradições da Igreja e da esperança como trabalho. E reencontra a capital potiguar de maio de 1959, quando presidiu o II Encontro dos Bispos do Nordeste e ajudou a aproximar a Igreja, o governo de Juscelino Kubitschek e o pensamento de Celso Furtado na busca de respostas para a miséria nordestina.

Entrevista imaginária por Roberto Homem

sábado, 19 de setembro de 2026

Capítulo Potiguar: Jesus, o papa-jerimum


E se Jesus tivesse nascido na Ribeira, crescido nas Rocas, reunido seus apóstolos por concurso e percorrido o Rio Grande do Norte pregando um evangelho de justiça, fraternidade e defesa da vida?

Em Jesus, o papa-jerimum, o médico, jornalista, poeta e memorialista José Fernandes Pedrosa transfere para o território potiguar alguns dos episódios mais conhecidos da trajetória de Cristo. O resultado é uma narrativa construída com humor, irreverência, crítica social e um conhecimento muito particular das cidades, dos costumes e das contradições do Rio Grande do Norte.