Encontros Impossíveis
A última aula-espetáculo
Ariano retorna com a mesma solenidade que o levou à Academia e a mesma graça que criou João Grilo. Nesta aula-espetáculo impossível, ele conversa com o SuperPauta sobre a morte do pai, a guerra contra o "ok" dos "pasteurizadores", o pavor de avião e o diabo, tudo sob o sol de pedra de seu Sertão mítico.
"Não sou ateu graças a Deus" – Ariano Suassuna
O encontro não se dá no céu, nem
no inferno. Ariano Suassuna não estaria à vontade em nenhum dos dois. O
inferno, diria ele, é "muito mal iluminado" e "cheio de gente
que fala inglês". O céu, talvez "correto demais". Nosso encontro
acontece em um teatro de pedra, em algum lugar entre a caatinga de Taperoá e o
cosmos. A luz é dourada, como o fim de tarde no sertão, e a poeira que dança no
ar parece carregar histórias milenares. Ele está lá, no centro do palco, não
como um espectro, mas como uma força. Veste o terno de linho que o imortalizou,
o inseparável colete vermelho e a gravata. (Ele ajeita a abotoadura, com a
solenidade de quem se prepara para uma batalha). Seus olhos, vivos e iluminados,
medem o entrevistador com uma mistura de curiosidade e desafio. Ariano Suassuna
está pronto para sua última "aula-espetáculo".
O ar vibra com a expectativa. É o
homem que dedicou a vida a provar que o Brasil profundo, o sertão "onde o
diabo perdeu as botas", era o palco da tragédia e da comédia mais
universais que existem. Nesta conversa impossível, Mestre Ariano fala sobre a
honra e a tragédia que marcaram sua infância, a criação do Auto da
Compadecida, o diabo, Deus e os "falsos profetas" da tecnologia.
Ele defende o Brasil contra o que chama de "pasteurização" cultural
e, claro, exalta as virtudes do Sport Club do Recife. (Ariano Suassuna)

