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quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Encontros impossíveis: Ariano Suassuna

Encontros Impossíveis

A última aula-espetáculo

 

Ariano retorna com a mesma solenidade que o levou à Academia e a mesma graça que criou João Grilo. Nesta aula-espetáculo impossível, ele conversa com o SuperPauta sobre a morte do pai, a guerra contra o "ok" dos "pasteurizadores", o pavor de avião e o diabo, tudo sob o sol de pedra de seu Sertão mítico.

 

 

"Não sou ateu graças a Deus" – Ariano Suassuna

 

 

O encontro não se dá no céu, nem no inferno. Ariano Suassuna não estaria à vontade em nenhum dos dois. O inferno, diria ele, é "muito mal iluminado" e "cheio de gente que fala inglês". O céu, talvez "correto demais". Nosso encontro acontece em um teatro de pedra, em algum lugar entre a caatinga de Taperoá e o cosmos. A luz é dourada, como o fim de tarde no sertão, e a poeira que dança no ar parece carregar histórias milenares. Ele está lá, no centro do palco, não como um espectro, mas como uma força. Veste o terno de linho que o imortalizou, o inseparável colete vermelho e a gravata. (Ele ajeita a abotoadura, com a solenidade de quem se prepara para uma batalha). Seus olhos, vivos e iluminados, medem o entrevistador com uma mistura de curiosidade e desafio. Ariano Suassuna está pronto para sua última "aula-espetáculo".

 

O ar vibra com a expectativa. É o homem que dedicou a vida a provar que o Brasil profundo, o sertão "onde o diabo perdeu as botas", era o palco da tragédia e da comédia mais universais que existem. Nesta conversa impossível, Mestre Ariano fala sobre a honra e a tragédia que marcaram sua infância, a criação do Auto da Compadecida, o diabo, Deus e os "falsos profetas" da tecnologia. Ele defende o Brasil contra o que chama de "pasteurização" cultural e, claro, exalta as virtudes do Sport Club do Recife. (Ariano Suassuna)

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Encontros impossíveis: Vinicius de Moraes

Encontros Impossíveis

O Amor Além da Vida


Desta vez, o encontro impossível é com o “Poetinha” que fez do amor uma religião e da poesia, um modo de viver.

“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.” — Vinicius de Moraes


A névoa se desfaz devagar, e no meio dela surge o velho Vinicius — o Poetinha, o diplomata do amor, o homem que fez da palavra um corpo vivo. Ao lado, um copo de uísque, meio cheio; ao fundo, um samba de Paulinho Nogueira rodando num vinil que parece eterno. Ele sorri, acende um cigarro imaginário e me convida a sentar. O cenário é uma mesa que poderia estar em qualquer bar do mundo — ou talvez no céu dos boêmios, onde as madrugadas nunca terminam. A conversa começa. E não acaba nunca. 

Entre goles e lembranças, Vinicius fala da solidão digital, da intolerância, das guerras e dos amores efêmeros — temas que parecem novos, mas que ele sempre previu com sua sensibilidade antiga e eterna. (Roberto Homem)

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Encontros impossíveis: Nélson Rodrigues

 

Encontros Impossíveis:  

Uma Conversa com o Espírito Rodrigueano

Um encontro impossível com o “anjo pornográfico”, que segue encenando o drama humano — agora, do outro lado do palco.

“A morte não é o fim da peça. É apenas a troca de cenário.” — Nelson Rodrigues

Nunca imaginei que um dia entrevistaria Nelson Rodrigues — e, ainda assim, aqui estou. Não sei se foi sonho, delírio ou milagre da tecnologia. O fato é que ele surgiu diante de mim como uma aparição: o terno amarrotado, o cigarro pendendo entre os dedos, o olhar perdido numa distância que não pertence a este mundo. Ficou em silêncio por um longo momento, o cigarro se consumindo lentamente. Quando finalmente falou, sua voz tinha o peso da eternidade — e o humor ferino de quem já atravessou a morte, mas continua lúcido demais para ser um santo. (Roberto Homem)