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quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Encontros impossíveis: Lampião

Encontros Impossíveis

O Evangelho do Bacamarte

 

Virgulino Ferreira retorna com a fúria e a astúcia que impuseram uma nova lei ao sertão, mantendo esta conversa imaginária com o SuperPauta sobre a vingança que o forjou, a derrota histórica em Mossoró e o código de honra que, em sua visão, o separa do banditismo moderno.

 

"Eu sou cangaceiro pela maldade dos outros" – Lampião

 

O ar não se move. O encontro se dá numa caatinga suspensa no tempo, onde o sol não castiga, mas a luz é branca e dura, como cal. O cheiro não é de flor de mandacaru, mas de poeira seca, couro curtido e pólvora fria. Ele não surge como um fantasma; ele simplesmente está lá, sentado numa pedra, como se nos esperasse há 70 anos. Virgulino Ferreira da Silva não é uma assombração; é um fato. Veste o gibão de couro bordado, os anéis brilham, e o chapéu de abas largas sombreia os olhos que, diziam, enxergavam no escuro. A voz não é um grito. É um trovão baixo, arrastado pelo sol, acostumado a dar ordens que não podem ser desobedecidas. Cada palavra tem o peso de uma bala.


Nesta conversa impossível, Lampião fala sobre a vaidade que o fez ser fotografado por Benjamin Abrahão, a estratégia militar que humilhou as volantes e a tática dos coiteiros. Ele detalha, pela primeira vez, sua maior derrota militar: a invasão de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Ele relembra a crueldade de ambos os lados, a morte de Jararaca, o amor por Maria Bonita e a traição final em Angicos. No clímax do encontro, o "Rei do Cangaço" analisa o crime moderno, renegando o "Novo Cangaço" e o Comando Vermelho. (Roberto Homem)