Encontros Impossíveis
O Evangelho do Bacamarte
Virgulino Ferreira retorna com a fúria e a astúcia que impuseram uma nova lei ao sertão, mantendo esta conversa imaginária com o SuperPauta sobre a vingança que o forjou, a derrota histórica em Mossoró e o código de honra que, em sua visão, o separa do banditismo moderno.
"Eu sou
cangaceiro pela maldade dos outros" – Lampião
O ar não se move. O encontro se dá numa caatinga
suspensa no tempo, onde o sol não castiga, mas a luz é branca e dura, como cal.
O cheiro não é de flor de mandacaru, mas de poeira seca, couro curtido e
pólvora fria. Ele não surge como um fantasma; ele simplesmente está lá,
sentado numa pedra, como se nos esperasse há 70 anos. Virgulino Ferreira da
Silva não é uma assombração; é um fato. Veste o gibão de couro bordado, os
anéis brilham, e o chapéu de abas largas sombreia os olhos que, diziam,
enxergavam no escuro. A voz não é um grito. É um trovão baixo, arrastado pelo
sol, acostumado a dar ordens que não podem ser desobedecidas. Cada palavra tem
o peso de uma bala.
