terça-feira, 30 de agosto de 2016

Entrevista: Cristiano “Batman” Zanetta

Batman do Brasil: o herói da vida real

Até pouco tempo atrás, meu Batman preferido era aquele que trajava uniforme de pano – representado por Adam West em um seriado gravado nos Estados Unidos nos anos 1960 e retransmitido no Brasil nas décadas seguintes. Agora, meu homem-morcego preferido atende pelo nome de Cristiano Zanetta de Matos quando está sem sua máscara de borracha. Esse Batman paranaense se preparou para o combate desde a adolescência. Aprendeu artes marciais, fortaleceu o espírito e esmerou-se em ajudar o próximo. Enquanto Adam West encenava lutas contra Pinguim, Charada e Coringa, Cristiano Zanetta encara duelos na vida real. Ele enfrenta a apatia, a depressão, o desalento e o sentimento de derrota e desesperança que costuma atingir pessoas internadas com doenças graves, sobretudo as crianças que enfrentam algum tipo de câncer. Quem me colocou no “radar” do Batman Zanetta foi um outro craque na arte de garimpar sorriso nos lábios das crianças. Foi o mágico Franco do Vale, que tive a felicidade de entrevistar em 2011 (http://zonasulnatal.blogspot.com.br/2011/01/entrevista-franco-do-vale.html) e a graça maior de manter contato com ele até hoje. Convido os leitores a acompanharem a conversa que mantive com Batman pelo Skype. Mesmo estando em Brasília e ele em Santa Catarina, foi emocionante desvendar os segredos desse cidadão brasileiro que integra facilmente o time dos “homens de bem”. A seguir, um resumo dos assuntos que tratamos. (robertohomem@gmail.com)

SUPERPAUTA – Bruce Wayne, o Batman de Bob Kane, era filho do médico e filantropo Thomas Wayne e de sua esposa Martha Wayne. O casal era bastante rico, pois Thomas era herdeiro de uma família que fez fortuna na indústria e no mercado imobiliário. E você, o que poderia nos contar a respeito dos seus pais?
BATMAN – O meu pai, Daniel José de Matos, é aposentado do Banco do Brasil. A minha mãe, Maria Angélica Zanetta de Matos, teve comércio; mas já parou de trabalhar. Vamos dizer que ela é do lar. Meus pais, hoje, moram na mesma cidade que eu: Tubarão, em Santa Catarina. Eu nasci em Clevelândia, no Paraná. Como meu pai trabalhava no Banco, sempre se mudava. Em toda cidade que ele morava, fazia um filho. (risos). O resultado é que tenho irmã catarinense, irmã paranaense e irmão gaúcho.
SUPERPAUTA – Quando os pais de Bruce foram assassinados, a família tinha saído do cinema, após assistir “A marca do Zorro”. Além de testemunhar o crime, Bruce sofreu outro grande abalado psicológico, na juventude, quando caiu em uma caverna infestada por morcegos. Você experimentou situações semelhantes? 
BATMAN – Fiquei em Clevelândia até completar dois anos de idade. Não guardo recordação nenhuma dessa época. Depois, meu pai foi transferido para Santo Antônio da Patrulha, no Rio Grande do Sul. Nessa cidade foi onde se deu o fato que terminou por ligar a minha história à do Batman: um incêndio atingiu a nossa casa. No dia, meu pai tinha saído para fazer um curso do Banco. Minha mãe tinha levado meu irmão mais velho ao médico, em Porto Alegre, porque na nossa cidade não tinha clínicas. (A distância entre Santo Antônio da Patrulha e Porto Alegre é de 73 km). Ficamos eu, com seis anos de idade; minha irmã Letícia, com cinco; e a minha outra irmã, Daniela, com um ano. Estávamos sendo cuidados por uma empregada. Um curto-circuito na televisão fez com que pegasse fogo na casa. Eu estava vendo a tv. A minha irmã de cinco, estava colocando a de um para dormir. A empregada estava estendendo a roupa, no terreno por trás de casa, que era de madeira. O fogo cresceu rapidamente. A empregada não conseguiu nos socorrer. Tentei abrir a porta do quarto onde minhas irmãs estavam, mas não consegui. Saí para pedir ajuda na rua. Algumas pessoas entraram, mas ao invés de ajudar, começaram a saquear a casa. Foi quando chegaram os bombeiros e salvaram as minhas irmãs. Elas escaparam ilesas, sem queimaduras. Se eu tivesse conseguido abrir a porta, as teria salvado. Os bombeiros entraram na casa pelo telhado. A casa era de madeira, mas meu pai tinha começado a arrumar a casa. Toda casa de madeira que está sendo reformada, o início da obra para botar laje é pela cozinha e banheiro. O fogo não destruiu essa parte de concreto. Como o quarto era perto da cozinha, ela acabou meio que isolando o fogo. 
SUPERPAUTA – Em que a sua vida mudou depois da experiência do incêndio? Ainda mantém contato com o bombeiro que atuou no salvamento? 
BATMAN – Por conta deste episódio, desenvolvi um trauma chamado dislexia, que é uma dificuldade de aprendizado. Devido à ação das pessoas de, ao invés de salvarem as minhas irmãs, se aproveitaram para roubar, fiquei com dificuldade de me relacionar. Eu não queria ter muito contato, não gostava de abraçar ninguém. Não tive mais notícias do bombeiro. Até porque, em pouco tempo nos mudamos pra Jaguaruna, em Santa Catarina. Como meu pai tinha passado em uma promoção e tinha perdido a casa, no incêndio, o Banco, quando precisou transferir alguém, escolheu ele. No colégio, comecei a pintar tudo de vermelho e preto. A professora sugeriu a meus pais que me encaminhassem a uma psicóloga. Essa psicóloga foi quem descobriu a minha dislexia e fez algumas terapias comigo.
SUPERPAUTA – Zorro foi o herói de Bruce Wayne, na infância. Acredito que você me responderia que o seu herói na infância foi o Batman. Então, mudo a pergunta: além do Batman, que outros heróis despertaram sua imaginação na infância? Como você conheceu as histórias do Batman? 
BATMAN – Eu gostava muito de super-herói, acho que influenciado pela televisão ou rádio. Tenho foto, aos três anos – das que sobraram do incêndio da casa – vestido de Super-Homem. Ele foi o meu primeiro super-herói. Mas, durante o tratamento, após o incêndio, eu disse à psicóloga que não acreditava mais em super-herói. Então ela me mostrou uma imagem do Batman e disse que ele era uma pessoa normal e que, apesar de não ter poderes, salvava as pessoas utilizando apenas seu cinto de utilidades. Acabei associando o Batman ao bombeiro: uma pessoa normal que usa uma roupa de proteção e tem um cinto de ferramentas que servem para auxiliá-lo em seu trabalho de salvar pessoas. Por conta disso, desde pequeno comecei a estudar tudo sobre o Batman. Dando continuidade ao tratamento com a psicóloga, a cada dificuldade que eu não conseguia resolver, ela me perguntava o que o Batman faria se estivesse na minha situação. Ela sempre aproximando o Batman da minha vida, como se ele estivesse em segundo plano. Foi assim que terminei fãnzaço do homem-morcego.
SUPERPAUTA – Durante a sua infância, Bruce foi uma criança solitária. Como se comportava o menino Cristiano? Tinha muitos amigos? Seu rendimento escolar foi bom? Colecionou muito gibi?
BATMAN – Os quadrinhos entraram na minha vida quando comecei a fazer tratamento em Porto Alegre. Na rodoviária tinha bancas de jornal e revista. Eu pedia à minha mãe para comprar os gibis do Batman. Igual a Batman, eu tinha uns pesadelos muito fortes, chamados de terror noturno. Batman também passou por isso e, pelo fato de ele não ter poderes, de ser uma pessoa normal, isso acabou me aproximando. Comecei a fazer tudo o que o Batman fazia. Tentei buscar a perfeição, à base de muito treinamento, para tentar fazer na realidade o que ele fazia na ficção. Desde os seis anos, até hoje, faço isso. Na adolescência, com 16 ou 17 anos, eu não contava para ninguém. Naquela época, já havia bulling no colégio. Se eu contasse que era fã do Batman desse jeito, iriam fazer de tudo para tirar sarro. Todo dia para mim, até hoje, é uma superação. A dislexia não tem cura. Tive que me adaptar como uma pessoa com deficiência, um cego, um surdo... Minha leitura é ruim e eu escrevo muito errado. Troco o cê-cedilha pelo esse... Mas treino muito oratória, para poder me sobressair usando a palavra. Cometo algumas falhas, mas é como um gago disfarçando e eu consigo esconder um pouco. Quando dou palestra para adolescente, sempre digo que ter amigos nerds foi o que me salvou, na adolescência. Eles que me guiavam e acabavam me ajudando nas vezes em que eu queria desistir de estudar. Eles me puxavam para cima. Meu rendimento na escola sempre foi fraco. 
SUPERPAUTA – Será que no íntimo você não contava pensando na possibilidade de, no futuro, manter sua identidade secreta? O episódio do incêndio o ligou ao Homem-Morcego, mas o que provocou o ato de você assumir o papel de Batman em parte de sua vida?
BATMAN – (risos) Eu nunca imaginei que o Batman iria surgir na minha vida como surgiu. Quando vi o filme do Batman Begins – do Christopher Nolan, com Christian Bale – deu um estralo na minha cabeça. Fizeram um filme de um Batman real, se ele existisse, seria assim. Eu vi que muita gente que falava mal do Batman começou a virar fã, devido a essa trilogia. Mandei buscar, nos Estados Unidos, uma roupa, que, na verdade, era uma roupa para motociclista, com toda a proteção. Comecei a andar de moto por causa desta roupa. Só que ela demorou dois anos para chegar. Nesse meio tempo, meu pai teve um câncer. Eu já fazia um trabalho voluntário em hospital, vestido de palhaço. Quem me ensinou a fazer as mágicas foi o Franco do Vale. Ele sempre me ajudou nessa parte. Meu pai teve três cânceres: intestino, rim e pulmão. No primeiro, no intestino, ele passou por três cirurgias. Na última, ele entrou em depressão. Comecei a estudar sobre câncer e fiquei sabendo que a pessoa que sofre da doença passa por cinco estágios: negação, raiva, barganha (onde entram as promessas), depressão e aceitação. Ele tinha que chegar na aceitação para aumentar suas chances de cura. Eu nunca tinha visto meu pai deprimido, ele sempre foi uma pessoa muito forte, eu nunca o tinha visto querendo morrer. Só que tudo o que eu fazia nos outros hospitais, para tentar alegrar os pacientes, não funcionava com ele. Não é fazendo piada ou tentando deixar feliz que você vai conseguir ajudar uma pessoa com depressão. Então, fiz um outro tipo de abordagem. 
SUPERPAUTA – Qual?
BATMAN - A gente tinha o hábito de ver filme. Então lembrei para ele uma passagem de Gladiador. Ele já tinha falado isso. Na hora em que o ator principal entra na arena, ele tem que lutar com seis soldados e todos eles fortes e bem alimentados. Já o Gladiador está com fome, ferido, cansado... Mas, cada vez que lutava, cada golpe – tanto de ataque, como se defendendo – era como se fosse o último da vida dele, até o Gladiador conseguir matar todos os adversários. Lembro que meu pai falou isso. Eu relembrei, disse que ele era um gladiador, ia passar por uma cirurgia, e tinha que encarar como se fosse a última luta, mas com vontade de viver. Não desistir. Nesse momento, eu vi que ele teve uma reação. Ele estava olhando fixo na parede. Teve uma expressão, embora sem desviar o olhar. Eu vi que ele mudou e estava me escutando. Então, projetei o futuro. Coloquei a mão dele na barriga da minha esposa – ela estava grávida de cinco meses – e falei que queria que minha filha o visse pescar. Eu sempre tinha sido companheiro de pesca dele. Desde pequenininho o acompanhava nas pescarias. Meu avô foi pescador, a gente cresceu nesse ambiente. Ele fechou o olho e começou a se concentrar. Quando chegou o médico para leva-lo para a operação, meu pai abriu o olho e demonstrou uma força interior que fisicamente ele não conseguia transparecer, por estar muito debilitado. O médico tirou ele da sala e, depois de alguns instantes, voltou, perguntando: “o que falaram que ele está tão motivado?”. Essa força acabou motivando o médico também. Esse episódio fez com que, depois, eu percebesse que devia fazer um trabalho diferente do que estava sendo feito. Vestido de palhaço eu não conseguiria levar a força necessária para quem está com depressão. Foi quando fiz a promessa de me vestir de Batman para dar prosseguimento a esse trabalho. 
SUPERPAUTA – Como você prometeu a seu pai? Do nada você chegou e falou para ele que ia se vestir de Batman para ajudar crianças doentes que precisavam de força para se recuperar?
BATMAN - Ah, rapaz, não foi do nada. Primeiro fiz a promessa intimamente, falei para ele depois. Como eu disse, minha roupa demorou muito para chegar. Quando ela chegou, nas minhas primeiras tentativas, quando eu ia para o hospital vestido de Batman, os funcionários pediam para eu me retirar. A imagem que eu usava o Batman era muito séria, eles não deixavam porque tinham medo do resultado. Por mais que eu já tivesse feito trabalho voluntário antes. Entrei em contato com vários hospitais, mas eles nunca deixavam. Minha filha já tinha nascido e o cumprimento da promessa sempre sendo adiado, porque eu tentava, mas não conseguia. Quando meu pai teve o câncer no rim, o segundo, houve problemas e ele estava internado, em estado grave. Isso ocorreu quando minha filha, com 17 dias, se afogou. Minha mulher, desesperada, entregou nossa filha para mim. Falei com os Bombeiros. Disseram que eu tinha que colocar minha boca envolvendo a boca e o nariz da minha filha, porque era muito pequena. Tinha que soprar, mas se fosse muito forte, poderia estourar os pulmões dela. Se fosse fraco demais, não adiantaria. Nessa hora, meu pai estava em coma, no hospital. Juro: não fiquei com raiva de Deus (emocionado). Só pedi que Ele não levasse os dois no mesmo dia. Essa era uma cruz que eu não conseguiria carregar. Cheguei a pensar: nem que morra um hoje e o outro, semana que vem. Mas eu não ia desistir de salvar a minha filha. Meu momento de fé foi testado nessa hora. Aí surgiu a imagem do Batman na minha cabeça. Quem é fã do Batman sabe que ele tem um superpoder. Até o Super-Homem falou um dia em uma animação: “Batman tem o poder de nunca desistir, por mais difícil que seja a situação”. Eu pedi para Deus soprar comigo, na hora em que coloquei a boca no rosto da minha filha. Deu certo. Ela começou a respirar, a chorar, depois chegaram os Bombeiros. Naquele momento decidi que entraria no hospital, nem que fosse escondido. E foi assim que fiz. Começou a circular a notícia nos hospitais que tinha um Batman que estava ali ajudando as crianças. Amigos perguntavam: mas você anda no hospital vestido de Batman e ninguém vê? Eu brinco: imagine dois médicos ou enfermeiros trabalhando, andando em um daqueles corredores compridos, cheios de quartos. Um deles vê o vulto do Batman passando. Se ele falar para o outro, seria internado na hora. No mínimo o outro médico o colocaria no soro. 
SUPERPAUTA – O que aconteceu para você ser aceito nos hospitais?
BATMAN - Uma mãe estava com o filho, em fase terminal, na oncologia. Ela descobriu que um Batman fazia um trabalho com crianças, conseguiu meu telefone e ligou. Queria que eu falasse com ele, pelo telefone, porque o menino não queria mais comer. O menino não estava mais falando, ela colocaria o fone no ouvido dele, e eu falaria. Mas eu disse que iria lá. A minha roupa é difícil de ser colocada, eu demoro uns 45 minutos, para vesti-la. Eu não teria tempo de entrar disfarçado e colocar a roupa lá dentro. Teria que entrar de Batman. No quarto do menino, conversei com ele e sua mãe. Falei de dores, e tal. Nesse momento, veio um enfermeiro com o objetivo de me retirar do quarto. Na hora em que ele entrou, meio agressivo, falei para o menino: “Sabe quem é esse cara que entrou agora no quarto?”. Ele respondeu que não. “Esse é o Lanterna Verde, o John Stewart”. Na hora em que eu falei que ele era o Lanterna Verde, o enfermeiro abriu um sorriso. Quebrou o encanto. “Ele vai pegar o seu sangue, a gente vai fazer uma quimioterapia lá na Liga da Justiça e você vai ficar curado”. Depois disso, saí. Achei que nunca mais entraria no hospital, mas, no outro dia, a chefe da oncologia, doutora Juliana, me ligou perguntando se eu era o Batman. Ela falou que todas as vezes em que eu ia lá, eles percebiam uma resposta positiva das crianças. Ele me liberou para entrar na hora que eu quisesse.
SUPERPAUTA – O Lanterna Verde deve ter intercedido por você...
BATMAN – Está sendo feito um livro que conta a minha história de vida. Tem uma psicóloga que vai avaliando. Ela viu que o mesmo trauma que Batman teve com os pais, aconteceu comigo com o fogo. Bruce Wayne perdeu os pais num beco, assassinados. Quando pegou fogo na minha casa, meus pais não estavam lá para me proteger. Normalmente os pais são os heróis dos filhos. Senti a ausência da figura paterna e materna. Por incrível que pareça – hoje somos seis irmãos – fui o primeiro a sair de casa. Por mais que os traumas tenham sido diferentes – um por fogo e o outro por morte –, devido a carência paterna e materna, a repercussão foi a mesma, devido à falta dos pais em um momento de crise. Minha irmã de cinco anos ficou com medo de fogo e tinha pesadelos também. Foi parar de fazer xixi na cama com 11 anos, mais ou menos. Meu trauma do fogo foi tão grande que eu acabei me tornando incendiário. Eu gostava muito do fogo. Lembro que meu pai costumava fazer buracos atrás de casa e trazer papel do banco para eu ficar queimando, para saciar minha vontade. No dia em que eu falei para minha mãe que não queria mais fazer aquilo – eu estava com oito anos de idade – que eu estava cansado, lembro de ela me abraçar e chorar muito. Hoje eu sei porque. Era torturante para uma mãe ver isso. Na hora em que ela me abraçou e começou a chorar, eu não entendi. Hoje, que sou pai, compreendo. 
SUPERPAUTA – A exemplo de Bruce, você se preparou física e mentalmente para a vida. Como foi a sua preparação? 
BATMAN – Treinei 17 tipos de luta. Fiz Jiu-jitsu, Ninjitsu, caratê, judô, pakua, aikidô, hapkido, wing chun, krav maga, boxe e por aí vai. Começou assim: como sofri muito bullying no colégio, pedi para meu pai me colocar no caratê. Só que na própria escola de caratê a gente acabava sofrendo também. Eu meio que comecei a entrar em outras modalidades, a ir treinando. Fui impondo respeito a mim mesmo e as outras pessoas começaram a me respeitar. 
SUPERPAUTA - Qual curso você escolheu fazer na universidade? Como foi o período? Além de estudar, o que mais fazia nessa época?
BATMAN – Fui cursar educação física. Tenho um irmão mais velho formado também em educação física. E eu sempre gostei de esporte. Por isso escolhi. 
SUPERPAUTA – Você falou que foi o primeiro dos seus irmãos a sair de casa. Como você se sustentava?
BATMAN – Quando eu tinha 17 anos, tive uma dor de cabeça terrível... Conto isso para você entender com mais clareza como aconteceu. Meu pai me levou ao médico, achando que era sinusite. Não era. Fiz uns exames mais sérios e o resultado apontou um tumor na cabeça. Em resumo: era um osso atrás do olho que estava em desenvolvimento mais rápido que do outro lado. Fui a vinte médicos, todos falaram a mesma coisa. Devido a quantidade de tomografias que fiz, era nítido o crescimento, e os médicos sabiam que não podia passar de um determinado tamanho. Minha família fez ao médico a pergunta que ninguém quer fazer: quanto tempo eu teria. Eles me deram dois anos de vida. Até eu visitar um médico aqui em Tubarão, Marcos Ghizoni, que avaliou meus exames e viu que o crescimento de um lado era o mesmo do outro. Ele deduziu que ao invés de câncer, poderia ser uma doença chamada displasia fibrosa, que provoca desgaste ósseo e crescimentos ou lesões em um ou mais ossos do corpo. Nessa história aí, eu já estava na faculdade. Contei para a turma que estava passando por esse inferno. Quando as pessoas colocam datas, sabem vai morrer em breve, o sonho acaba. Somos movidos por sonho. Tanto é que hoje, o trabalho que eu faço nos hospitais com as crianças, é dar sonho para elas. Procuro estipular metas e missões para elas estarem sempre ativas. Quando comecei na faculdade, meu pai me sustentava. 
SUPERPAUTA – Como essa realidade mudou?
BATMAN - Quando eu já sabia que estava com os dias contados, o professor chegou na sala e perguntou: “o que vocês querem ser, depois de formados?”. Respondi que eu queria ter uma academia. Naquela época era bem difícil, não é como hoje. Você fazia faculdade para trabalhar como empregado. Quem tinha academia era o empresário que investia, mas não o educador físico. Uma amiga perguntou o que meu pai fazia. Respondi que ele era gerente do Banco do Brasil. “Então para ti é fácil ter uma academia”, ela comentou. Isso me magoou, porque ela não viu meu mérito. Como eu tinha dislexia, sempre fui testado e a maioria das pessoas sempre falava que eu não seria nada na vida, por ter essa doença. Nesse dia falei para meu pai: “vou fazer um voto de pobreza. A partir de hoje eu não quero mais ajuda sua”. Peguei uma pensão em Criciúma e comecei a trabalhar para bancar a faculdade. Boa parte do período de faculdade consegui me manter com as mágicas que o Franco do Vale me ensinou. Eu comprava os baralhos e na hora do recreio eu vendia. Eu treinava minha mágica dentro da academia. Como nesse tipo de ambiente tem bastante espelho, é mais difícil esconder o truque. Me tornei um bom aluno de Franco. Fazer uma mágica de frente para outra pessoa sem ter nada por trás é diferente de quando por trás e nos lados tem espelhos. Franco me treinou bem. Depois consegui uma bolsa dentro da faculdade. 
SUPERPAUTA – Você casou ao terminar o curso? Como sua esposa encara ser casada com o Batman e seus filhos convivem de ter em casa o herói dos quadrinhos?
BATMAN – Casei no meio do curso. Minha filha adora. No começo, todo mundo se assustou, até o meu pai. Quando me viu vestido, ele perguntou se eu realmente precisava levar tão a sério. Os voluntários que visitavam hospitais buscavam levar alegria. Iam lá fazer palhaçada. Era comum ligar a TV e ver um Batman fazendo palhaçada, brincando. Quando comecei a mostrar uma postura mais séria, um lado mais profissional, as pessoas começaram a respeitar. Com respeito veio junto o resultado do meu trabalho, hoje reconhecido por médicos. Quando eles começaram a ligar para mim e chamar para ajudar, eu quase não acreditei. Hoje desenvolvo projeto para ensinar novos Batmans a fazer esse trabalho em hospitais de outros lugares. 
SUPERPAUTA – Você que tinha todo treinamento de artes maciais nunca pensou em trabalhar na polícia ou no enfrentamento de bandidos, ao invés de se dedicar ao papel de ajudar crianças em hospitais? No Brasil tem outros Batmans, inclusive uns que lidam com bandidos.
BATMAN – Sim, tem. Cheguei a pensar em fazer concurso para a polícia, mas desisti porque o policial tem que respeitar algumas regras que o Batman não respeita, pois ele passa do limite. Eu não conseguiria. Ia levar o lado do Batman mais intenso. Já ocorreu de eu levar gente presa, de ver uma pessoa roubando uma casa e dar voz de prisão. Mas não estava vestido de Batman. Cheguei a pensar em ser bombeiro ou policial, mas resolvi trabalhar nos hospitais. Uso um outro lado do Batman. Quem conhece o personagem sabe que ele tem uma imagem forte e marcante. Tanto é que o trabalho que faço hoje foi reconhecido por médicos e psicólogos e virou até documentário. Tenho contato com o Batman ruivo, do Rio de Janeiro. Ele usa o mesmo traje que eu tenho. Mas o meu cinto do Batman é o único do Brasil, pois é de verdade. Todo armamento que o Batman tem no cinto, eu tenho também. O Batman ruivo faz mais trabalho de cosplay (junção das palavras costume-fantasia e roleplay-brincadeira ou interpretação, é considerado um hobby onde os participantes se fantasiam de personagens fictícios) em eventos. Em Florianópolis tem a Turma do Batman. Eles fazem um trabalho muito bonito em escola carente e hospital, com teatro. É um estilo de Batman mais comédia, que prende o Coringa, e tal. É um trabalho muito bonito, que leva mensagens de combate às drogas, fala de bullying. O meu trabalho é mais intenso, porque entro no setor de oncologia de criança, inclusive em fase terminal. Lá eu tenho que ser o mais Batman possível. Conto algumas histórias de superação pra motivar essas pessoas a não desistirem. 
SUPERPAUTA – Conte algumas das experiências que mais marcaram nesse trabalho de conduzir esperança para vítimas de câncer.
BATMAN – A primeira sempre é a mais marcante. Fui para o Hospital Infantil Joana de Gusmão, que atende a toda uma região de Florianópolis. Entrei às oito da manhã e saí às quatro da tarde. Às duas da tarde eu não aguentava mais com a roupa, já estava desidratado. Como não consigo me alimentar vestido, estava à base de isotônico pra aguentar. Tânia, que estava me acompanhando, integrante da Avos (Associação de Voluntários de Saúde do Hospital Infantil Joana de Gusmão), representante desse hospital, falou que eu tinha mais três alas para visitar. Eu falei que não aguentava mais. Ela insistiu que só faltavam três alas: fraturados, queimados e uma terceira que não lembro. Eu disse tudo bem. Só que eu, de cidade pequena, confundi ala com sala. Achei que seriam três salas. Mas cada ala tem muitas salas. Perto das quatro da tarde, eu falei que não aguentava mais, que meu humor já estava mudando e eu já estava começando a ficar agressivo. Eu estava desidratado e com fome. Eu tinha cabelo raspado, na época, e minha máscara causava feridas na cabeça. Eu sentia que as feridas, com o suor, já estavam queimando, como se fossem agulhadas. Nessa hora, passou um médico por nós e disse: “Batman, estamos lhe esperando na UTI”. Eu falei para Tânia que não estava aguentando mais, era muita dor. Ela explicou que nunca tinham autorizado entrar ninguém da UTI, nem o pessoal da Avos. Ela disse que ia ver se ia checar ser eram os médicos querendo fazer fotos comigo ou se tinha alguma criança. Se fossem só os médicos, eu não precisaria ir. Concordei. Fiquei em pé, perto da UTI, esperando ela conversar. Saem um avô e uma mãe chorando, da UTI. Eles olham para mim com o rabo de olho, sentam em um banco e continuam chorando sua dor. Eu esperando para poder entrar. Tania falou que tinham quatro crianças lá, e, delas, três queriam me ver. A outra estava entubada. Entrei, conversei com as três crianças e perguntei para o médico se poderia conversar com a outra que estava entubada. Ele disse que ela não poderia falar, por estar entubada. Notei no olhar dela o mesmo olhar que vi no meu pai, no hospital. Identifiquei que ela estava com depressão. Ela não falava porque estava se alimentando através de sonda, por não querer comer mais. Cheguei perto e comecei a conversar. A criança começou a chorar. Era um menino de 12 anos. Ele já sabia que eu não era o Batman, mas uma pessoa vestida. Contei a minha história de vida, que passei muito tempo nos hospitais, enfim. Não sei porque cargas d’água, peguei no meu cinto um batrang de ferro que o Batman arremessa e entreguei a ele. Ele segurou e colocou o batrang no peito. Nesse momento o médico começou a chorar e saiu da sala chorando. Não entendi porque o médico chorou. Continuei conversando com a criança. Ao final, me despedi e fiz um sinal de força, com a mão. Ela repetiu o sinal. Eu saí. Na outra sala, conversei com o doutor e perguntei por que ele estava chorando. Ele falou que a criança estava em um estágio de depressão tão profundo que não se mexia mais. Era como se fosse um tetraplégico. Além de não comer, não se mexia. Naquele momento em que ela se mexeu, o médico desarmou. Aquilo foi muito forte, eu não consegui absorver na hora. Quando eu estava saindo, era um corredor comprido, resolvi imitar o Batman: olhei para trás e dei um sorriso para o pai, avô e a mãe do menino. Na hora em que o médico veio chama-los para ver a criança se mexendo, eu saí correndo. Desapareci. Foi o primeiro caso que deu certo. Foi aí que percebi que o que eu fazia funcionava mesmo. 
SUPERPAUTA – Conte outro caso...
BATMAN - Outro caso foi em uma cidade vizinha. Um menino estava com câncer na cabeça e tinha que se submeter a radioterapia. Nessa rádio ele tinha que usar uma máscara para fazer o tratamento. Só que ele era hiperativo e se mexia muito. Não conseguia. Cada vez que se mexia, o hospital tinha que sedar. E a anestesia era paga. Ele não conseguiu pelo governo o tratamento, que era muito caro. Nesse momento, os médicos ligaram para mim, me chamando de Batman. “Batman, nós estamos com um problema sério”. E eu achei que era brincadeira. Eles pediram minha ajuda. Peguei a moto, fui para o hospital conversar com o menino Renato. Foi o único caso em que tirei a minha máscara e mostrei as feridas na minha cabeça (emocionado). A gente ficou conversando, ele botou a minha máscara de borracha, falei da dor que ele teria que aguentar. Disse que sabia que seis minutos era uma eternidade para quem sentia dor, mas passei algumas dicas para tentar suportar. Assim ele conseguiu fazer o tratamento (emocionados o entrevistado e o entrevistador). 
SUPERPAUTA – Você consegue controlar a emoção nesses momentos?
BATMAN – É muito emocionante. Tive que fazer o trabalho que o Batman faz, me aprimorar. Nesses treinamentos, acabei desenvolvendo minha inteligência emocional. A gente faz o bloqueio e consegue fazer o atendimento. Mas, realmente, a gente recebe tanta carga ali que hoje eu tiro a máscara e fico emocionado, mas não transbordo como acontecia antes. A gente vai evoluindo, tudo é uma questão de treino. O último que fiz foi um curso de “coaching”, para conseguir atender melhor a parte oncológica adulta. A gente consegue dar um trabalho de assessoria mais rápido para os adultos. 
SUPERPAUTA – A luta do seu pai contra o câncer faz parte das lições que você procura transmitir para as pessoas que visita. Como foi?
BATMAN – No primeiro câncer, meu pai sofreu com a depressão. Depois ele teve um câncer no rim. No terceiro, quando foi fazer a cirurgia por causa de um câncer no pulmão, acabou estourando e dando metástase. O médico fez uma biópsia e estimou que ele teria apenas duas semanas de vida. Certo dia, durante esse período, eu estava almoçando com a família quando minha filha falou: “pai, sonhei com Deus”. Perguntei se ela tinha sonhado com Deus ou com Jesus. Ela respondeu: “sonhei com Deus, o pai de Jesus, e ele disse para mim avisar ao vô que ele está curado”. Nessa hora minha mãe saiu chorando e a comida começou a descer quadrada. Era domingo. No dia seguinte, meu pai pediu outra biópsia. O médico não quis fazer, dizendo que o diagnóstico já tinha sido dado e era 100%. Meu pai contou a história para o médico, que só assim concordou em repetir o exame. Meu pai estava limpo. Eu digo às pessoas de mais idade que não desistam. Se meu pai tivesse desistido no momento em que estava com depressão, teria morrido. Não pela doença, mas por ter desistido. Eu digo que lutem com todas as suas forças, não desistam. Algumas pessoas comentam comigo que queriam fazer o trabalho que eu faço, mas não saberiam o que falar. Eu digo que o principal é aprender a escutar. O “coaching” ensina isso. Para ser um bom “coaching”, você tem que aprender a escutar. 
SUPERPAUTA – E para as crianças, o que você diz?
BATMAN – Trabalho a parte do lúdico, mas falo muito em dor. Elas têm o poder mental de acreditar no inacreditável. Tem capacidade de absorver a dor com muito mais fé do que o adulto. Falo de superação, que ela vai perder uma fase da vida, parte da infância, mas vai poder aproveitar o futuro, vai casar, ter filhos... Digo que a diferença da criança para o adulto é o preço do brinquedo. Ela pode ser criança depois de grande. Tento aumentar o conforto e dar uma qualidade de vida melhor para essa criança. Se não tem algum objeto no quarto, tento conseguir, como um videogame ou um ventilador. 
SUPERPAUTA – Você é comunicado quando morre uma dessas crianças que você visita?
BATMAN – Sou. Normalmente quando as ONGs entram em contato comigo procuro ir ao velório ou ao enterro, oferecer um conforto à família. Eu vou de Cristiano, e não de Batman. Algumas vezes me identifico para a família. É difícil. Porém, o câncer infantil tem morte, mas não são tantas. A mãe está sempre atenta com o cuidado da criança. Se aparece um nódulo, um caroço, ou a criança fica roxa, ela leva logo ao médico. O caso de morte hoje que tem nas crianças é devido à falta de medicamento adequado. Tem casos de amputação para tentar reduzir o nível do crescimento do tumor. Mas a gente tenta fazer de tudo, até conseguir dinheiro. As pessoas perguntam como podem ajudar. A melhor ajuda é dinheiro. Se você tem um videogame em casa pode dar, mas o fundamental é mesmo o remédio. Dar um medicamento melhor, ajuda muito. Às vezes a família não tem dinheiro para botar um cateter na criança e ela fica levando agulhada direto no braço, que fica roxinho. A gente consegue um cateter. A gente tenta de tudo um pouco. 
SUPERPAUTA – Você é remunerado por esse trabalho?
BATMAN – Sempre tive muito medo de prejudicar a imagem do Batman. Este zelo fez com que eu fosse reconhecido pela Warner, devido à caracterização perfeita que faço do Batman. Meu site também é muito bem cuidado. Tento assumir uma postura semelhante a que o Batman teria. Por isso, nunca fiz festa de aniversário, porque o Batman não faz. Porém, certo dia um menino de seis anos perguntou o que ele devia fazer para ter câncer e eu visita-lo. Foi um baque, para mim. Ao chegar em casa, comentei com a minha mulher que eu só visitava criança doente, e não a sadia. Liguei para a Warner, em São Paulo, e disse que começaria a fazer visita em aniversário, que cobraria, mas o dinheiro seria destinado aos hospitais. Também me comprometi a não fazer trabalho de recreação, mas apenas posar para fotos, deixar uma mensagem de superação gravada e um presente para o aniversariante. Também faço algum trabalho paralelo para conseguir verba. Hoje, vou a festas de aniversário e faço palestras. O dinheiro é destinado à essa causa. Estou preparando alguns vídeos no Youtube e buscando outros canais para conseguir empresas que queiram patrocinar. 
SUPERPAUTA – Geralmente as empresas que lhe contratam são de alguma área específica?
BATMAN – A maior ajuda que tenho hoje é de motociclistas. Um deles é o Maverick Bikers Pub, um bar de motoqueiros e de rock, em Criciúma. A Chapam Motopeças, também em Criciúma, foi quem customizou a minha moto e é outra parceira. A Motoban deu os baús laterais para eu conseguir ter melhor conforto de levar coisas para os hospitais, como os presentes. Agora estou visitando empresas para vender a ideia de ter o Batman vinculado a ela, fazendo um trabalho social. Além disso, ainda ofereço minhas palestras. 
SUPERPAUTA - Quais equipamentos, vestimentas e apetrechos fazem parte da indumentária e arsenal do Batman? Quanto custou?
BATMAN – Minha roupa custou 5 mil dólares. Ela é de Kevlar (marca registada da DuPont para uma fibra sintética de aramida muito resistente e leve. Trata-se de um polímero resistente ao calor e cinco vezes mais resistente que o aço por unidade de peso). Ela é a prova de fogo e de cortes. É um macacão profissional de motociclistas, foi feito para, se eu cair no asfalto, não me queimar ou cortar. Tem revestimento de couro e, por dentro, proteção de motocross. O macacão pesa 25 kg. A máscara é de borracha látex, a mesma que é feita o pé de pato. É muito apertada e agoniante. Tem também a capa. Tenho uma moto, Suzuki Boulevard 1800, toda customizada. O cinto de utilidades tem uma lanterna tática, spray de pimenta, soco inglês e facas de arremesso. Tenho especialidade em arremessar facas. Tenho também o batarang, aquele símbolo do Batman que ele joga, e uma máquina de choque. Tudo funcionando.
SUPERPAUTA – Qual o seu Batman preferido?
BATMAN – O meu Batman preferido são dois, na verdade. O último Batman foi o mais fiel às HQs. Eu li a vida inteira esse Batman. Ele usa arma de fogo e é um Batman perturbado com seus pesadelos. Mas o Batman Cavaleiro das Trevas, do Christopher Nolan, pra mim é melhor ainda. Se tivesse aquelas cenas de luta, o filme seria perfeito. Mas o ator Christian Bale foca mais uma realidade, uma coisa que poderia existir. O carro dele não é tanta ficção, é mais real mesmo. 
SUPERPAUTA – Você desenvolve outra atividade além de incorporar Batman?
BATMAN – Tenho uma academia de ginástica e musculação em Urussanga. Aluguei essa academia para poder vir morar em Tubarão acompanhando a minha esposa, que está fazendo medicina. Vim ficar com a família. Criei uma modalidade, chamada Super Hero, que reúne o crossfit, parkour e o treinamento militar. Desenvolvi esse treinamento físico e pretendo criar uma academia exclusivamente desta modalidade e expandir para o Brasil inteiro. Mas hoje pretendo mais ficar com a imagem do Batman. Se eu pudesse hoje ter uma renda para ficar só fazendo esse trabalho social, eu faria só isso. 
SUPERPAUTA – Já pensou em entrar na política?
BATMAN – Não, apesar de o Batman, no final de sua carreira, ter entrado na política. Ele resolve os crimes todos com o Bruce Wayne na política. A gente tem imagem de pessoas corruptas na política. Mas, na verdade, a gente faz política a vida inteira. O Batman acaba virando prefeito de Gotham City e passa a combater o crime com a honestidade. Mas eu nunca pensei. Até porque eu não teria tempo, meu tempo é escasso. Falta dinheiro para eu visitar outros hospitais que chamam. Além dos hospitais, também faço visitas em casa. Quando uma criança está em depressão e não quer prosseguir o tratamento, o médico manda a criança embora, porque não tem o que fazer com a criança ali. É quando vou e faço a criança voltar para o hospital. Tem custo de gasolina, eu deixo de trabalhar e não recebo. Nesse tempo de crise, está me afetando muito. Porque eu poderia fazer mais e não estou conseguindo devido a falta de dinheiro. 
SUPERPAUTA – Deixe seus contatos e um recado para o leitor da entrevista.
BATMAN - Meu site é www.batmandobrasil.com. Tenho um subsite batmandobrasil.com.br/palestras e tem o meu email batmanpalestra@gmail.com. A gente está vivendo em um mundo onde estão faltando heróis. Isso porque as pessoas que são más estão fazendo maldades e as boas estão na inércia. Hoje ocorre algo na rua, a pessoa tira o celular e começa a filmar, ao invés de tentar ajudar. Ela filma e só pede ajuda depois de postar. Então, eu gostaria de deixar o seguinte recado: não basta ser bom, tem que fazer o bem, custe o que custar. 
SUPERPAUTA – Parabéns, parabéns mesmo! Obrigado pela entrevista e sucesso no seu trabalho. 


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