O menino que atravessava o Seridó num jumento para cantar em Caicó pegou carona num caminhão de queijo e manteiga até Natal. Dali chegou ao rádio, foi chamado por Jackson do Pandeiro para trabalhar no Rio de Janeiro e fez músicas que o Brasil continuou cantando.
No antigo Forró da Coreia, Elino Julião recorda os companheiros de viagem, conta de onde vieram seus personagens, enfrenta a história de uma canção tomada por subversiva e explica por que, décadas depois, ainda havia gente lhe pedindo notícias de Nascimento.
Entrevista imaginária por Roberto Homem
O cenário
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| A conversa começa no antigo Forró da Coreia. Todas as cenas da postagem são feitas com IA |
Há uma sanfona sobre a cadeira, dois copos d’água na mesa e gente chegando devagar, como se ninguém quisesse admitir que veio cedo para garantir lugar perto dos músicos. Um homem testa o microfone com a palma da mão. Outro pergunta pelo zabumbeiro. No fundo, uma senhora já marca o compasso com o pé.
Elino Julião entra de chapéu e cumprimenta três pessoas antes de sentar. Pergunta o nome do rapaz do som, quer saber de onde é o sanfoneiro e se diverte ao descobrir que um casal veio apenas para ouvi-lo conversar.
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| Elino cumprimenta os presentes antes de se sentar. Imagem ilustrativa; cenas históricas são reconstituições. |
Aponto para o gravador.
— Está funcionando.
— Se não estiver, conto tudo de novo. Mas você me avise antes de eu terminar a história do jumento.
Digo que nasci em Currais Novos e cresci em Natal. Ele encosta na cadeira, satisfeito.
— Então você conhece o caminho. Eu vim de mais para cima, de Timbaúba. Vim cantando. O caminhão é que fez a maior parte da viagem.
O sanfoneiro experimenta uma nota. Elino vira o rosto para escutar, aprova com um movimento da cabeça e volta para mim.
— Vamos lá, Roberto. Só deixe o homem tocar depois.
A entrevista
SuperPauta — Você nasceu em Timbaúba dos Batistas. Que menino era aquele antes de existir Elino Julião, o cantor?
Elino Julião — Era um menino que gostava de cantar no sítio. No sítio, adulto e criança se misturavam nas brincadeiras. A gente cantava, dançava, sapateava; saía errado, começava outra vez. Eu ouvia uma música na festa de Sant’Ana, em Caicó, voltava e ficava repetindo. Meu pai tocava também. Não havia essa cerimônia de dizer: “Agora o menino vai estudar música”. A música já estava no meio do povo, e eu me metia no meio.
SuperPauta — Mas você também trabalhava.
Elino — Trabalhava. Botava água no jumento, ia buscar, voltava, ia de novo. Menino do sertão aprendia serviço cedo. E eu ia cantando pelo caminho. Aquilo não tornava o peso mais leve, não; o peso continuava lá. Mas dava uma companhia à viagem. Quando depois fiz música sobre trabalho e sobre bicho, eu sabia do que estava falando. Tinha visto bem de perto.
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| Na infância, o caminho com o jumento atravessava o Seridó. Imagem ilustrativa; cenas históricas são reconstituições. |
Elino — Nino, um baterista lá de Caicó. Gosto de dizer o nome dele porque, se eu disser apenas “um músico”, parece que qualquer pessoa teria feito aquilo. Foi Nino, filho de Maria Viúva. Ele me levou para cantar na sede do Caicó. Eu gostei tanto que passei a voltar toda semana. Vinha do sítio como dava. Quando a gente é novo e quer cantar, arranja transporte até onde não parece haver transporte.
SuperPauta — E de Caicó para Natal você pegou o famoso caminhão.
Elino — Peguei morcego num caminhão que trazia queijo e manteiga para a feira. O dono era conhecido lá na região. Eu vim junto com a carga e com a vontade de cantar. Pode parecer uma chegada bonita contada hoje, mas na hora ninguém sabia o que ia acontecer. Eu só sabia que Natal tinha rádio, tinha programa de auditório, tinha mais lugar onde um rapaz podia se apresentar.
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| A viagem no caminhão de queijo e manteiga rumo a Natal. Imagem ilustrativa; cenas históricas são reconstituições. |
Elino — Cantava e fazia presepada. Eu me mexia, rebolava pra danado e sapateava. O povo gostava e pedia mais. Isso me ensinou uma coisa: cantar direito é importante, mas também é preciso enxergar quem está na sua frente. Você percebe quando a plateia entrou na brincadeira e quando precisa buscar outro caminho. Eu aprendi muito olhando para aquelas pessoas, não apenas ouvindo minha voz no microfone.
SuperPauta — Foi num desses programas que Jackson do Pandeiro o ouviu?
Elino — Foi no programa Domingo Alegre, de Genar Wanderley, na Rádio Poti. Jackson veio se apresentar em Natal, e Genar me botou para abrir o programa. Eu já cantava música de Jackson. Naquele dia cantei, dancei, fiz meu serviço. Ele ficou vendo. Quando terminei, chamou-me e perguntou se eu queria trabalhar com ele no Rio. Ora, Roberto, qual era a resposta que eu ia dar? Eu queria, claro. Só precisava cumprir o serviço militar primeiro.
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| Reconstituição do programa Domingo Alegre, na Rádio Poti. Imagem ilustrativa; cenas históricas são reconstituições. |
Elino — Disse para eu escrever quando saísse do Exército. Escrevi. Ele mandou a passagem. Hoje a pessoa conta isso em duas frases e parece simples: conheci Jackson, fui para o Rio. Entre uma coisa e outra havia um rapaz esperando, pensando se aquela promessa continuava valendo. Continuava. Cheguei ao Rio e fui morar na casa dele.
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| O encontro com Jackson do Pandeiro nos bastidores. Imagem ilustrativa; cenas históricas são reconstituições. |
Elino — Ele percebeu que eu podia trabalhar com ele. Isso vale mais do que adivinhar se eu ia fazer sucesso. Jackson gostava de quem tinha disposição, sabia acompanhar e não ficava esperando a música acontecer sozinha. Se eu tivesse perguntado se havia ouro na minha garganta, ele era capaz de dizer: “Cante primeiro, rapaz. Depois a gente vê.” [Ri.] O importante é que ele me deu uma oportunidade e cobrou serviço de mim.
SuperPauta — O que você fazia no conjunto?
Elino — Fazia coro, tocava triângulo, participava de tudo. Jackson trabalhava muito. Havia apresentação, rádio, viagem. Eu ficava prestando atenção em como ele entrava numa música, como usava o corpo, onde deixava um silêncio. Jackson tinha um domínio danado do ritmo. A pessoa às vezes pensa que aquilo saía fácil porque ele fazia parecer fácil. Mas havia muito músico ali.
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| Elino acompanha Jackson no Rio de Janeiro. Imagem ilustrativa; cenas históricas são reconstituições. |
Elino — O gosto por um forró mais sambado, mais redondo. Eu já trazia coisa do Seridó, e no Rio encontrei o trabalho dele, encontrei samba, encontrei músicos que tocavam de outro modo. Fui juntando. Aprender com um mestre não é passar a vida fazendo a voz dele. Se o sujeito só imita, Jackson continua sendo Jackson e ele fica sem saber quem é.
SuperPauta — Como nasceu a chance de gravar “Puxando Fogo” e “Xodó de Motorista”?
Elino — Jackson teve a ideia de juntar vários artistas num disco, O Fino da Roça. Gravar um LP sozinho era difícil para quem começava. Cada um entrou com suas músicas, e eu gravei aquelas duas. Funcionou bem. Eram músicas que o povo pegava depressa: uma chamava para a festa; a outra tinha aquele motorista atravessando o país sem querer viajar desacompanhado. Eu gostava de personagem que você conseguia imaginar antes de a música acabar.
SuperPauta — Suas canções muitas vezes começam com uma situação engraçada. Você procurava a piada primeiro?
Elino — Procurava uma história que desse vontade de contar. A graça podia estar numa frase ou no jeito de um sujeito se explicar. Agora, veja: se a história não anda com a música, não adianta ser engraçada. Tem que caber no ritmo, chegar à pessoa que está dançando. O compositor guarda dez ideias; às vezes uma delas encontra a melodia. As outras ficam esperando.
SuperPauta — “O Rabo do Jumento” veio de uma história que você presenciou. Quem era Nascimento?
Elino — Era um homem que apareceu no sítio onde eu morava, vindo do Piauí. Chegou montado numa jumentinha, pediu morada ao dono da propriedade e logo se pôs a contar histórias. Mentia bastante, viu? A rapaziada achava graça. Trabalhava também. Fez uma vazante perto do açude, plantou suas coisas. E eu continuava levando água no jumento, para cima e para baixo.
SuperPauta — Até o dia em que você foi tomar banho no açude.
Elino — Era para encher os barris e voltar. Mas eu era menino; entrei na água. Deixei o jumento solto. O danado passou a cerca e entrou na plantação de Nascimento. Quando fui ver, ele já tinha pisado no que não devia. Nascimento apareceu com uma raiva que eu não tinha visto ainda. Cortou o rabo do bicho diante de mim e me ameaçou para que eu não contasse.
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| A lembrança do jumento e da vazante de Nascimento. Imagem ilustrativa; cenas históricas são reconstituições. |
Elino — Na hora, não. Fiquei com pena do jumento e com medo de Nascimento. De noite, o sítio inteiro queria descobrir quem tinha feito aquilo. Eu sabia e não dizia. Quando ele foi embora uns dias depois, a história ficou comigo. Mais tarde, já trabalhando com Jackson, lembrei do acontecido e fiz a canção. A música deu uma resposta que o menino, diante daquele homem, não conseguiu dar.
SuperPauta — Você chama “O Rabo do Jumento” de seu hino. Por quê?
Elino — Porque o povo tomou conta dela. Eu conto de onde veio, mas cada pessoa que canta já conhece o jumento e já tem sua opinião sobre Nascimento. A música saiu daquela vazante e andou pelo Brasil. Outros artistas gravaram, e ela continuou chegando a gente que não tinha nascido quando aconteceu a história. Para um compositor, isso é uma alegria danada. Para o menino que ficou calado, talvez seja também uma pequena vingança.
SuperPauta — Outra canção sobre um animal, “O Burro”, levou gente a suspeitar de você. Como foi isso?
Elino — Na música, eu dizia que o burro trabalhava muito e recebia menos reconhecimento que certos homens homenageados por aí. Era uma brincadeira com uma ponta séria. Pois teve quem dissesse que aquilo era subversão. Fui chamado para me explicar em Brasília. Pediram que eu cantasse, perguntaram por outras músicas, ouviram aquele rapaz do sertão falando de jumento, de trabalho, de gente. No fim me mandaram embora. Eu fiquei aliviado, naturalmente. Mas não esqueci que uma pessoa podia ser interrogada por cantar sobre quem trabalha.
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| Elino explica a canção O Burro às autoridades. Imagem ilustrativa; cenas históricas são reconstituições. |
SuperPauta — Você pretendia fazer uma canção política?
Elino — Eu pretendia dizer uma coisa que tinha reparado. Burro carrega peso, apanha, e ainda chamam alguém de burro para ofender. Aí você olha para um homem que vive de trabalhar e vê o pouco valor que dão a ele. Se alguém acha política essa comparação, não fui eu que inventei a injustiça. Eu fiz a música.
SuperPauta — Em “Na Sombra do Juazeiro”, você encontra outro papel para uma árvore do sertão: além de resistir, ela abriga o namoro.
Elino — Quem viveu ali sabe como é boa aquela sombra. Você vem do sol e encontra um lugar fresco, verde. O juazeiro continua com folha quando muita coisa em volta sofre com a seca. E, claro, um casal pode conversar sossegado debaixo dele. Eu gostava de cantar esse lado também. O sertanejo trabalha, enfrenta aperto, mas namora, faz festa, procura um lugar agradável para passar a tarde. Não se deve contar a vida dele só pela falta d’água.
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| Uma conversa à sombra do juazeiro. Imagem ilustrativa; cenas históricas são reconstituições. |
Elino — Eu gostava de cantar samba. O corpo acompanha de outro jeito, mas acompanha. Gostava das músicas de amor também. O sujeito que dança forró no sábado pode estar sofrendo por alguém no domingo. Por que eu haveria de cantar apenas uma parte da vida dele? Eu tinha meu modo de fazer as coisas; não precisava pedir licença toda vez que mudava o ritmo.
SuperPauta — E a palavra “brega”?
Elino — Se usam a palavra para dizer que uma pessoa não deve cantar o que sente, eu não concordo. Tem música romântica boa e ruim, como existe forró bom e ruim. Isso se resolve ouvindo a música. O nome que puseram na gaveta não canta por ninguém.
SuperPauta — Você gravou dezenas de discos e teve canções interpretadas por nomes como Jackson e Luiz Gonzaga. Houve um momento em que se sentiu reconhecido na mesma medida do trabalho que fez?
Elino — Houve momentos muito bons. Ouvir outro artista gravar uma música sua, chegar a uma cidade e ver o povo cantando, entrar em estúdio com músicos que você admira: isso tem valor. Mas artista não vive num único momento. Terminou o show, aparece outro contrato para acertar, outra viagem, outra canção para fazer. Reconhecimento é bom quando também ajuda a pessoa a continuar trabalhando.
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| Uma pausa mais séria durante a entrevista. Imagem ilustrativa; cenas históricas são reconstituições. |
SuperPauta — No álbum O Canto do Seridó, músicos de outras gerações entraram no seu repertório. Você temia que mudassem demais suas músicas?
Elino — Eu queria escutar o que cada um tinha para oferecer. Se convido um artista e depois mando que faça tudo como eu faria, para que o convidei? Tem que cuidar da canção, evidentemente. Mas ela pode conversar com outros instrumentos e outros cantores. Gostei de ver gente diferente chegando perto das músicas e levando público novo para ouvi-las.
SuperPauta — Seu filho Júnior conta que você chamou ele e André para participar de uma gravação quando os dois estavam brincando. Eles acabaram chorando de cansaço. Lembra do episódio?
Elino — Eles queriam voltar à brincadeira, e eu queria acertar a gravação. Criança não mede o tempo pelo relógio do estúdio; cada repetição parecia uma eternidade. A mãe deles chegou e encontrou os dois no sofá, acabados. Hoje é uma história engraçada. Naquele dia, acho que os meninos tiveram uma opinião menos generosa sobre o trabalho do pai.
SuperPauta — Lucymar também construía a própria carreira musical. O público enxergava o trabalho dela?
Elino — Nem sempre enxergam direito o trabalho de uma mulher quando a apresentam apenas como esposa de um cantor. Lucymar cantava, compunha, cuidava de muita coisa, ensinava os meninos. Eles cresceram vendo os dois lados da profissão: a apresentação e o que se faz antes dela, dentro de casa. Se Júnior fala tanto do que aprendeu com a mãe, é porque havia muito para aprender.
SuperPauta — Júnior leva seu repertório aos palcos. O que você gostaria que ele preservasse?
Elino — O gosto de cantar e a seriedade com o público. As músicas ele pode fazer do jeito dele. Tem meu nome, mas tem a voz dele e a vida dele. Pai nenhum devia pedir ao filho que passasse o resto dos anos tentando repetir um homem que já existiu.
SuperPauta — Hoje seu aniversário, 13 de novembro, marca o Dia Estadual do Forró no Rio Grande do Norte. É uma homenagem que lhe agradaria?
Elino — Agrada ser lembrado. Eu perguntaria também o que o estado vai fazer nos outros dias. Há músico tocando agora, gente compondo, ensinando menino a tocar, mantendo salão aberto. É preciso ouvi-los, pagar o trabalho deles e guardar a memória dos que vieram antes. Pode escrever meu nome no calendário; eu ficaria contente. Depois abra a porta para os outros entrarem.
SuperPauta — As matrizes tradicionais do forró se tornaram patrimônio cultural do Brasil. O que um reconhecimento desses precisa proteger?
Elino — As pessoas que fazem o forró acontecer. Disco, fotografia e documento devem ser guardados, sim. Mas tem sanfoneiro precisando tocar, zabumbeiro ensinando o filho, compositor procurando quem grave sua música. A festa tem de continuar sendo um lugar onde eles caibam. Patrimônio vivo precisa de gente viva trabalhando.
SuperPauta — Há artistas novos que misturam o forró a sons bem diferentes. Você os escutaria?
Elino — Escutaria. Foi assim que aprendi muita coisa: prestando atenção em músico de outro lugar. Depois eu diria se gostei. Também pediria que escutassem o que já foi feito, para conhecer as possibilidades que têm nas mãos. Quem inventa alguma coisa sabendo o que veio antes pode ir longe. E quem toca do jeito antigo merece palco, sem precisar se fantasiar de novidade.
SuperPauta — O que você diria ao leitor que conhece “O Rabo do Jumento”, mas não conhece o resto da sua obra?
Elino — Comece pelo jumento, já que vocês dois foram apresentados. Depois venha ouvir as outras. Tem festa, tem amor, tem samba, tem o Seridó. E escute os músicos comigo. Uma canção ganha vida na mão de muita gente. Eu dei minha parte; quero que você ouça o trabalho deles também.
SuperPauta — Antes que o trio comece: o que ficou daquele menino que pegou o caminhão para Natal?
Elino — A vontade de cantar e de encontrar gente. O menino não sabia que ia morar na casa de Jackson, gravar disco, viajar tanto. Sabia que gostava da alegria de um auditório e que queria voltar para cantar na semana seguinte. Isso eu ainda entendo muito bem.
O zabumbeiro dá duas batidas leves, apenas para chamar os companheiros. Elino se vira.
— Espere um instante. Você é de Currais Novos mesmo?
Confirmo.
— Pois depois me conte quem está cantando por lá. Você me perguntou um bocado de coisa; agora é minha vez de saber.
Ele se levanta antes que eu desligue o gravador. Alguém pede “Puxando Fogo”. Elino olha para o sanfoneiro, e o homem já está com os dedos nas teclas.
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| O trio começa a tocar e encerra o encontro. Imagem ilustrativa; cenas históricas são reconstituições. |













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